terça-feira, 30 de outubro de 2012

O Agridoce de Nós Dois (capítulo 01)


Olha, vou lhe contar, o dia foi um tanto quanto longo. Pois bem, levantei como de costume as sete e fui logo meditar, sentir a brisa que aquela manhã trazia, limpar a alma. Acabando então de fazer o que acabei de mencionar fui colocar água na chaleira e me preparar para a aula. No toca-discos coloquei Mozart e repassei uns rodopios. A aula estava pronta! Logo após fui despertar minha gata Charlotte com um vasilhame de leite fresco e então me trocar. Saí de casa e o sol logo me cumprimentara pairando seu lume sobre mim. Típica manhã perfeita! Passando pela ruela em que moro, pude ver que a placa em que vendiam a casa que fica encostada na minha tinha sido retirada, isso quer dizer, novos vizinhos! Prosseguindo ainda pela tal ruela que leva à academia de dança em que trabalho, vi Seu José lavando seu calhambeque anos 60 e Dona Maria na frente conversando com suas margaridas. Dei bom dia aos dois, e com um sorriso, Seu José que já não bate bem da cabeça disse “Os pássaros só estão cantando porque quem passas é Clementine!” Assenti com um sorriso largo. Já Dona Maria, me desejou um bom dia seco sem tirar os olhos de cima das margaridas.
Chegando enfim à academia, coloquei minhas sapatilhas e fiz alguns passos frente ao espelho. Conforme os minutos passavam minhas menininhas iam chegando e eu as recebendo com um beijo na cabeça. Chegaram todas e então pude iniciar a aula. São excelentes alunas, nem precisei repassar os rodopios, quando vi já estavam ali, girando por toda a sala. Minha primeira parte do trabalho estava cumprida, agora era só ir comer algo e retornar para minhas meninas maiores do turno da tarde. Com elas, ensaiei pro “Quebra Nozes”, uma peça que vamos apresentar no teatro da cidade. Elas dançando e eu no piano. Segunda parte do trabalho dá-se por encerrada, guardo minhas sapatilhas, pego minhas chaves e fecho a academia. Saindo dali, vejo um caminhão de mudanças tapando a frente da minha casa. Era o novo vizinho! Passei olhando, mas não vi ninguém além dos descarregadores de mudanças. Se não tivesse um tumulto danado faria os cumprimentos e daria as boas-vindas, mas vamos deixar isso para amanhã. Cheguei em casa, selecionei alguns filmes franceses e me coloquei a deitar no sofá acariciando Charlotte. Foi um longo dia!
Caros acompanhantes do blog, conversa vai e conversa vem eu e Danilo decidimos por começar uma parceria. Estamos escrevendo uma mini novela na qual se chama "O Agridoce de Nós Dois". Vocês podem acompanhar em ambos blogs. Aí vai o primeiro capítulo!

terça-feira, 23 de outubro de 2012


É carnaval!
E hoje, meu bem, o maestro botou um sambinha
Pr'eu dançar sozinha
No bloco de nós dois
É carnaval!
Hoje eu não te quero aqui, amor
Quero outra pele moreninha
Pr'eu dançar agarradinha
No bloco de nós dois.

Lisa de verdade


Lisa tem dentes tortos, cabelos oleosos, voz fina, unha-encravada e uma falha em sua sobrancelha esquerda. Lisa não lê sobre Sartre, Freud ou Nietzsche. Gosta de novela e de assistir comédia romântica acompanhada por uma panela de brigadeiro. Lisa não vai à academia e não tem um corpo invejável. Lisa não é sexy, não tem o mínimo de sex appeal nem é desejada por todos os homens do bairro. Isso, em sua própria visão, porque pra mim, Lisa beira Brigitte Bardot. Quando solta um sorrisinho seus dentes tortos parecem querer me devorar. E os cabelos de Lisa para cima formando um coque bagunçado a deixa com um ar sexy e requintado. E quando Lisa canta Elvis num inglês todo errado desafinando lindo nem se fala. Lisa é sexy até quando está com uma camisa da Janis até o meio da coxa sentada em seu sofá tentando fazer as unhas do pé com um daqueles separadores de dedo. Só não é mais sexy que no momento em que está nervosa e levanta sua sobrancelha esquerda, aquela que tem a falha. Lisa é sexy com esse jeitinho de não saber ser sexy. E eu? Um homem do bairro de Lisa que a admira junto com os outros caras. 

domingo, 14 de outubro de 2012

Morte de Mário

Mário não era dessa gente,
dessa gente que fala bem e escreve bem.
Mário não estava nem aí pra arte, pra poesia ou pra música.
Mário era gente como toda gente que não sabe ser gente.
Mário morreu, morreu infeliz. 
Não foi poeta nem amado,
pobre Mário!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

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Querida A,

Você sabe quem chegou hoje? Sim, a primavera! E juntinho a ela as flores florescem e reflorescem deixando tudo mais belo. Tudo mais belo lá fora, porque aqui dentro não existe beleza alguma. Alice, eu sei, esta é tua estação preferida e eu não estou escrevendo sobre isso para poder amolecer teu coração, só estava cá pensando e me dei conta de que fomos (somos) como as estações. No começo, fomos o outono, a estação das (nossas) noites longas e dias curtos. Logo após, veio o inverno e o frio nos arrematar, dentro de nós tudo congelou. Mas hoje, Alice, hoje a primavera me acordou e quebrou o gelo que o inverno deixara, tudo aqui refloresceu. Amanhã é a vez do verão e sua promessa de calor meteorológico. Mas não penses que quero só isso, espero pelo teu calor corporal e afetivo.
                                                                                     Com amor, J.

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domingo, 30 de setembro de 2012

Voe por aqui

É impossível resistir à essa imensidão azul quando se tem um par de asas, eu sei. Sei do deleite que é passar por entre as nuvens, sucumbir por força dos ventos então, nem se fale. Mas meu amor, se quiseres voar não vou achar ruim. Só peço para ficares por aqui, pelo meu céu. Aqui o azulado é mais bonito!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Ó Senhorita

Ontem à noite eu a deixei despida debaixo de meus edredons. Vi a lua pairar na janela e teu corpo pairar sobre o meu. Os seus olhos eu vi fechar e sua mão repousar por entre suas pernas. A senhorita, musa das pinturas mais belas, obra-prima, escultura de Zeus, desejo consumado por qualquer carne humana agora estava ali adormecida entre meus suspiros e anseios. Sua pele macia arrepiava quando se colidia com a minha. E aos gemidos aquela fora a melhor madrugada de minha vida.
Logo amanhecera, o sol raiava num diáfano e aos poucos enchia nosso ninho de luz. Passei a mão pelo lençol de seda até conseguir tocar-lhe o corpo, mas no lugar onde a senhorita deveria estar se ocupava do vazio. Meus olhos ainda com dificuldade para abrir, procurou-a em todo canto do quarto, em vão. Até que num relance vi uma brancura que vinha da cozinha. Era a senhorita, apenas preparando o café.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Caro Augusto,
Quebrei o silêncio que devastava e rasguei nossas fotos sem pieguice alguma. Quero meus discos, meus livros e meu tempo que desperdicei com você. Sempre reclamaste da minha complexidade não é? Prepare-se para as próximas palavras pois aí vai algo não-complexo: Adeus!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A saudade deu sua cara por aqui. Outrora estava cá olhando pro nada e as lembranças daquele verão me invadiram incessantemente. Um brisa fria entrou pelas frestas da janela e tocou minha nuca assim como você fazia. Meus olhos se fecharam e num flashback me vi retrocedendo para julho de 70. Vi claramente nós dois debaixo daquele pé-de-amora e pude também ouvir tua voz ao cantar "Ó querida, Ó querida, Ó querida Clementine".
Eu quero samba, amor e paz
e o resto meu bem,
deixa pra lá que tanto faz!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Nosso (não) mundo

No nosso mundo, amor, a guerra seria por beijos, toda musica seria samba e todas as flores seriam rosas. No nosso mundo, amor, não existiria um poder maior e todas as classes seriam sociais. Nesse mundo, amor - nosso -, o sol iria aparecer todos os dias iluminando nossa cama e lá fora o barulho das buzinas seria melhor que a quinta sinfonia de Beethoven. Todo dia seria domingo e todas as coisas teriam gosto de bolo de fubá. No nosso mundo, amor, não teria tanta hipocrisia. Não deixaria nosso mundo ser cinza como esse, te pintaria o arco-íris todos os dias se fosse preciso. Ah, se eu pudesse ter um mundo pra transformá-lo em nosso...

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Nós nos cobrimos de amor-fino, amor-vistoso. Transvestismos a paixão-desajeitada. E assim, prosseguimos, tigres em pele de gatos.

Sobre Elizabeth

Venha cá, vou lhe falar de Elizabeth. Mulher extraordinária, um conjunto de olhos, boca e seios maravilhosos. Ela era refinada embora sua mente e seu corpo fossem mais sujos que um banheiro público. Seus cabelos arrebatiam o brilho do sol e em seus olhos ela carregava toda uma constelação de estrelas.
Ela apareceu desfilando nas ruas de Viena semana passada. Uma semana causando pertubações nos moços dali. Apesar de todos a desejarem, Elizabeth só tinha olhos pra ela mesma. Parecia até hipnotizada com sua própria beleza, mas era de ficar. Não se espante com as minhas palavras deslumbradas, você não a viu. E se visse, estaria no meu lugar observando Elizabeth todos os dias em seu trajeto até o padeiro e depois escrevendo sobre sua tamanha beleza.
Ah, eu não posso me esquecer de colocar aqui que um dia nos trombamos. Ela fitou meus olhos com um ar de espantada e eu fugi de seu olhar assim como o diabo foge da cruz (força de expressão). Fugi, porque sabia que dentro de seus olhos havia a doçura de uma moça e o desejo de uma mulher. Aquele olhar que me fitava podia me matar. Elizabeth chegava a me dar medo, suas curvas eram sinuosas e sua pele branca parecia ser gelada como a neve.
Amanhã pela manhã, quando Elizabeth passar frente à minha janela torno a escrever ou a me imaginar entrando em um lugar que muitos já entraram em Elizabeth.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Quatro e cinquenta

Não cabe aqui dizer minha idade ou meu nome. Sou um velho maltrapilho e por aqui não vivo mais de quatro anos e cinquenta dias. Não sou um homem assalariado. Faço um bico aqui, um ali e outro acolá. Não gosto de luxúria, me contenho com poucos trocados se eles sustentam meus vícios.
Fim do mês chegara, (essa época era dura) e eu mal podia pagar o café pela manhã. E procurava um bico aqui, um ali e outro acolá. Maldita noite aquela em que gastei mais do que devia. Nunca soube guardar ou administrar grana, na verdade, não dava nem tempo. Era dinheiro em mãos e eu em bares.
Aquele era um típico dia em que eu revirara o que eu chamo de casa para achar algumas pratas. Por sorte, achei quatro e cinquenta no bolso de uma camisa velha. Sem pensar duas vezes fui logo ao bar da esquina e pedi uma dose de uma cachaça barata que vendiam por lá. Sentei-me em uma mesa de fundo e com os trocados que me sobraram comprei uns cigarros picados... Chorei por quatro horas e cinquenta minutos.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Querida Clara,

hoje fui convidado para um jantar na casa de Margareth e Caetano (que sentem sua falta), não os vejo à tempos. Estou esperando dar minha hora pr'eu poder tomar banho, já até me acostumei a não ter camisas engomadas e sapatos limpos.  Mas mesmo depois de quase quarenta anos não me acostumei com essa saudade que me clausura. Não me leve a mal Clara, mas é melhor você aí. Você é doce demais pra ver o que este mundo (hospício) se tornou. Estava lendo o jornal de semana passada (costume que eu não perco nunca) e toda essa politicagem, todos esses assassinatos me chocaram. Seus olhos não mereciam ver isso. Se você estivesse aqui ficaria bem triste ao ver a quantas anda a vida. É tanta hipocrisia, meu bem. Mas penso que é lindo aí, onde você está. Deve tocar "For Me and My Gal" e ter cheiro de perfume. E todos aí devem te adorar, porque com a sensibilidade que tens... Ah Clara, estou entre suspiros, tento ser forte mas as palavras "forte" e "eu" não condizem. Imagino que logo-logo estarei junto à ti. Aguarde-me com um punhado de rosas brancas, meu amor.
Num parágrafo começou uma história nova. Prolongou-a nas reticências. Não-contente com a pausa da vírgula esticou-se ao ponto e vírgula. Tanto esforço pra nada, morreu de interrogação.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

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Maria,

Pensei que nunca mais irias ser a dona de minhas palavras. Talvez não queiras nem ver minha caligrafia torta, mas eu preciso lhe contar como está sendo esse mês sem você.
A casa está uma reviravolta e acabei por perder o controle da tevê. Os discos empoeiraram junto com o restante das coisas. Maria, as madeiras estão ocas e isso fede. As paredes abstruíram um tom cinza e os móveis o mofo.
Darling, isso são apenas superficialidades. A casa, uma banalidade. O fato é que aqui dentro está uma reviravolta. Maria, eu sempre lutei pra nunca sentir o amargo desses dias sem você. Os mesmo estão sendo tortuosos e a máquina de escrever não largo. Foram inúmeras cartas escritas não enviadas. Cartas de "volta pro seu Zé, Maria" "tá doendo Maria". Isso tudo pode parecer meio desesperador, mas eu não consigo não ser assim. Nunca fui tão fraco e vazio.
Queria sentir ódio de ti, mas dizem por aí que ódio é o princípio do amor. Estarei então destinado a te amar sempre, Maria?
Talvez seja bobeira demais eu amar tanto, amar esse sotaque seu de lugar-nenhum, amar o jeito dos teus desenhos e amar o doce dos teus lábios. Mas eu não sei fazer nada à não ser te amar. Eu te amo Mariazinha, e não tenho mais o que escrever.
P.S: guarde essa carta junto as outras na caixinha encima do teu armário que amanhã vou praí ver se ela tá lá mesmo. Sem complexidades, só me deixa entrar (e ficar).
Um beijo
teu  Zé.


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Eu sou uma pergunta

Pareço carregar o fardo do mundo nas costas. Me sinto um chinelo velho, esquecido. Vivo de lembranças de pés novos à me calçar. Sorriso fraco, olhos murchos, mãos cansadas e mente frustada formavam uma massa deplorável - eu -. Nunca hei de encontrar alguém que se encha em mim. Todos ali pareciam ser humanos demais. Meio típicos da raça, procuradores da almejada felicidade, cheios de patologias loucas, crenças inúteis, cheios de pressa e exigências. Ninguém com esse perfil se adequava à mim. Eu bebia, bebia demais. Cachaça era doce perante ao amargo da minha vida. A sobriedade era algo que eu queria longe. Era uma pergunta sem resposta. E eles? Eles não eram culpados do meu fracasso, a culpada era eu. A culpada sou eu.

sábado, 21 de julho de 2012

Um dia qualquer

A manhã gélida entrara em seu quarto pelas frestas das janelas e de manhã me acordara com uma brisa refrescante. O pássaros cantarolavam em uma perfeita sintonia. E as árvores dançavam, as folhas secas se esgueiravam pelo chão, os carros buzinavam juntos formando um conjunto sinfônico, os dedos se estralavam, o café derramava, os livros se abriam, as portas se fechavam e a criança do cabelo enroladinho chorava e chorava. Uma jarra de liquidificador essa vida, tudo misturado. Um adolescente sem fôlego por ver sua paixão e um bebê molhando a fronha de baba com sua risada. E a tarde chega sorrateira emudecendo a manhã com cheiro de bolo de fubá e suco de laranja caído no tapete da sala. O barulho da tevê se misturando com aquela voz grossa que vinha do rádio. O sol lá encima deixava o céu mais límpido. Olhos piscam, as mãos se cruzam, o vento quente penetrava em seus poros. Ouve-se a porta rangir, o barulho que faz a vassoura passeando pela casa, ouve-se o silêncio que gritava e o seu coração em cada batida. Adeus tarde. E a noite chega com todo aquele brilho natural que ofuscava a tarde. E as estrelas salpicavam naquela imensidão escura, as luzes se apagavam enquanto os pensamentos e o isqueiro se acendiam, o cigarro queimava e a boca fechava. Sentimentos florescem e padecem. Era só um dia como qualquer outro.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Será?

Desculpe pelo português errado
Pelo meu jeito agrosseirado
Por meus textos inacabados
Pelo meu olhar desviado
Pelo falar embaralhado
E pelo cabelo tão despenteado
Desculpe-me
Só estou  mostrando meu interior
Não quero que penses o que não sou


Pietra e seu querer

Pietra queria de tudo e não se contentava com o pouco que tinha. Pietra queria sempre mais e mais, nunca estava bom. Queria as melhores roupas, os melhores caras e as mais insanas diversões. Todos amavam Pietra, ela era cobiçada por cada menino da escola e em cada lugar que passava todos à admiravam por suas curvas e sua simpatia. Pietra queria as coisas fáceis, as que vinham bater em sua porta. Uma vez bateu em sua porta a ganância, e ela achando que quem estava ali eram seus sonhos, abriu. Podre Pietra, assistiu-se afundar naquele poço de ganância sem escapatória. Viu tudo o que tinha indo embora e as pessoas que à cercavam pareciam cada vez mais distante. Nada ela podia fazer. Pietra, queria de tudo e agora nada tinha.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Como eu pude acreditar, seu moço?

Desgraçadamente, você fez do meu sossego carnaval, levou toda a minha sanidade. Eu não esperava, embora soubesse que não ia ser como os romances de 1970. Nosso amor era mais sujo que o banheiro de um Saloon. Ora, como pôde! As rosas são tão mal-cheirosas, como pôde, seu moço! Quero meu drinque, já que você me falta!

Paz, ainda te espero

Um fluxo. Um caos. Uma desordem de anti-corpos. Hormônios à flor da pele. E o psicológico mais destruído que as Torres Gêmeas. Nunca estaria em paz consigo mesma. Tudo era uma banalidade, uma lástima, uma perda de tempo. O vazio nunca foi tão profundo, a sensação era de que algo que em seu peito cravaram. A felicidade à sua porta nunca bateu, mas também nunca quis felicidade. Procurara por um pouco de paz, e isso ela nunca teve.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Por que?

Se seu destino era nascer, crescer, reproduzir e morrer por que só amou, amou, amou e amou?

domingo, 17 de junho de 2012


"Quem é essa Clementine que ninguém nunca viu?"

"Quem é essa Clementine que ninguém nunca viu?"
Clementine sou eu de uma forma mais intensa e imprevisível. Clementine é tudo o que eu queria ser e não sou. Clementine é meu interior, é o reflexo que vejo quando olho no espelho, no caso, eu mesma. Clementine é doce, pura e sabe amar. É o que falta em mim, ou o que talvez sobra. Ela vive longe da realidade. Talvez viva no escapismo. Clementine é pra mim o mesmo que Álvaro de Campos é pra Fernando Pessoa. Um heterônimo! Daria de tudo para ser como Clementine.

Sou meu veneno

Estou em um ciclo infindável. Um buraco no qual eu cavei e não acho a saída. Num jogo vicioso. Num labirinto inacabável. Num mar de agustia e tristeza. No vasto "eu". Seria eu mesma meu próprio veneno?

Era um caso raro

Não se enquadrava ali junto as outras pessoas de sua idade. Eram uns dementes - pensava -. Repudiava rapazes com muito no braço e pouco na cabeça. Moças que se davam por tão pouco achava o cúmulo da burrice. Não, não era santa, de santa passava longe! Talvez só fosse alguém que tinha o silêncio como sua companhia. Seus melhores amigos eram os mais perigosos, cigarros! Pobre moça, era ela. Passava o dia todo em seu quarto lidando com suas músicas poético-dramáticas e ao fim do mesmo esperava a barulhenta casa dormir para poder chorar. Não tinha ela motivos para chorar, mas ela era diferente. Sofria de sentir, sentia dores passadas, presentes, futuras e alheias. Não era nem um pouco bonita nem a mais desejada da turma - era feliz por isso -. Seu tênis estava sempre sujo e suas camisas amarrotadas. Seu comportamento era apático. E seus olhos era um labirinto no qual qualquer pessoa se perdia. Mas mesmo com tudo isso ela era a moça mais linda que já vi. Não pelo que tinha de fora, mas sim pelo que habitava dentro dela. Ninguém nunca havia me despertado tanto interesse, a moça era incrível!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Sorte de Colombina

                                           Quem é que não quis ser Arlequim e acabou por ser Pierrô?

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sofro de Ceticismo

De que vale a vida? - nada, exclamava -. Quando crianças ouvimos sobre o certo e o errado. Mas o certo não existiria se não houvesse o errado? O que seria esse tal erro? Seríamos mesmo quem pensamos que somos? E se não pensássemos em que somos, o que seriamos? Precisamos daquilo que chamam "indispensável"?  Seria a vida predestinada? Nascemos, crescemos e o que é seu o destino dá um jeito de ajeitar?
E o mundo? Foi uma explosão ou foi criado por um ser supremo nunca visto? E se não existisse ciência ou religião, tudo seria explicado através de um mito? Ou tudo é um mito? E se houvesse uma Terceira Guerra Mundial? Teríamos alguns benefícios como tivemos na Segunda? Mais guerra ou mais paz?
Se lutássemos pela paz, seria apologia à guerra? Por que tantas perguntas e nenhum ser apto à respondê-las? De que vale mesmo a vida?

domingo, 10 de junho de 2012

Nota da noite:

Queria tua voz para afagar meus ouvidos sussurrando qualquer canção ou  me mandando ir à puta que pariu.

Perdoe-me por chamá-lo de meu, e de amor

Encontro-me pálida e sem vida. A dor, onipresente. Não há céu claro, não há vento; as janelas trancadas, e a porta por igual. E tu meu amor? Nem sei por onde andas...

sábado, 9 de junho de 2012

Annabel para Enoch

"Existe um pássaro que acha que morre sempre que o sol se põe. De manhã, ao acordar, ele fica chocado de ainda estar vivo, então canta uma canção linda." Eu canto todas as manhãs desde que te conheci.

00:44 pm

Não sei por quê estou escrevendo nem pra quem. Não sei que rumo esse texto vai tomar. Estava rabiscando uma folha branca e não satisfeita quis jogar algumas palavras nas quais eu também não sei se sairão. A solidão é minha companheira. É madrugada gélida de sábado. Estou sem sono e desanimada. Não tenho nada além de um disco velho, um livro de Graciliano Ramos, um copo de leite quente e alguns versos soltos no meu caderno, também não preciso mais que isso. Não sei como terminar isso, comecei sem saber e o fim não vai ser diferente, contente-se leitor com não mais que as reticências...

Sobre as pessoas

Eu gostava de observá-las. Era legal ir ali em horários comerciais para ver a aglomeração se formando. Tão apressadas, tão bem-vestidas. Onde iriam com tanto pressa? - gostava de imaginar -Por que cada uma era diferente da outra? As olhava em seus mínimos detalhes, do andado ao piscar de olhos. Em cada rosto um sentimento. Umas me passavam serenidade, outras tormenta e algumas chegavam a me dar medo. Meus olhos às fotografavam na memória. Eram centenas, milhares até, que faziam seu trajeto por ali. Por que somos tantas e nenhuma é igual a outra? Sempre gostei de me questionar. Talvez um dia eu ache as respostas ou talvez acabe descobrindo novas perguntas, eu não tinha certeza de quase nada, mas sabia que aquilo ali era magnífico.

O seria a vida então?

Escrever sobre o que não aconteceu é fácil. Imaginar pessoas, histórias e lugares diferentes é água com açúcar.   Quero ver quem sofreu, lutou e perdeu um amor escrever. Quem na desventura conseguiu conciliar fatos com palavras bonitas. Viver vai além da imaginação, vai além de escrever sobre dois alguém inexistentes se conheceram e blá blá blá. A vida é bem mais que isso... a menos que você se torne um autor de novela.

Estava em desacordo

                      Ter uma árvore, plantar um livro e escrever um filho. Estava em desacordo.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Love me tender, love me sweet. Never let me go.

Quando o cheiro dos meus cabelos sairem dos teus olfatos, quando não souberes quais são as curvas do meu corpo, quando ouvires minha voz mais distante de ti, quando a primeira carta que lhe escrevi estiver ficando amarela, olhe para as fotos que tiramos no parque central sob as pedras, elas sim são prova de que nos amávamos, vista aquela camisa vermelha que eu sempre adorei e você sempre a vestia para me agradar, ouça "Love Me Tender" na versão do Elvis e vá para um bar. Peça uma dose de Absinto e chore porque perdeu o grande amor da sua vida.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Primeiro pensamento do dia:

Você pra mim é o que Drummond escrevia pelas madrugadas.

...


Quero seu silêncio, nu e cru

- Não. Eu não vou sair de perto de você. - prometeu
Na verdade, eu não me importava com suas palavras. A pergunta foi pra deixar claro o que era notório - eu estava apaixonada -. De falsas palavras e promessas eu já estava farta. Eu sabia que aquilo ali não chegaria à um lugar algum. Eu não gostava do seu "foda-se tudo", não gostava do cheiro seus cigarros e dos porres no final de semana. Essa história de "os opostos se atraem" não funciona com a gente. Na nossa versão, os opostos é que se perdem. Mas de um certo modo eu gostava daquilo. Me agradava seu jogo. As vezes gostava de jogar no ataque do campo oposto. Mas às vezes não quer dizer sempre, por que ali junto a ti eu não procurava por jogo algum. Eu só (te) precisava, não como um adversário mas quem sabe como um amor, um amigo que me coubesse dar um beijo, um abraço, um afago sempre que precisaste. E minhas perguntas meu amor, não responda. Não crie mais danos com palavras ou promessas, aqui dentro já está dilacerado demais.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Que sensação boa, obrigada Chico!

Eu chamaria aquele dia de merda. Internet, tv e celular estavam extremamente cheios de pessoas que não me interessavam nem um pouco. Eu não tinha pra onde ir ou com quem ir. Eu não tinha nada além de um rádio velho escondido em meio a tanta bagunça no meu quarto. Não sabia de onde vinha aquele rádio, não lembrava de ninguém que pudesse ter me dado. Na curiosidade o tirei do fundo do meu guarda-roupa e o livrei de tanta poeira. Decidi ligá-lo e deixá-lo em uma estação qualquer. Logo então começou uma bela musica. Eu não sabia quem a cantava, mas a voz era doce e a letra de uma tamanha sutileza. Embalada por aquele som me vieram alguns pensamentos à respeito de um moço que amei algum tempo atrás. A musica diz respeito à uma pessoa que amava outra antes mesmo de conhecê-la. O que havia acontecido comigo e aquele moço, eu sentia que iria conhecê-lo antes mesmo de tal acontecimento. E eu que me jurava longe daquele tormento depois que ele foi embora me vi retrocedendo à alguns anos. Cada verso simples tinha um pouco de mim, de nós, talvez. Dizia que ela - a pessoa - descartava os dias em que não o via, como eu fiz por um certo tempo. O conjunto de palavras formavam uma poesia sem igual, era um misto de beleza e leveza. Até que a musica acabou. Se até mesmo uma bela musica acabaria, quem diria um amor? E então o "dia de merda" passou para o "dia de lembranças".

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Paris, 2012

Desculpa demorar-te a te escrever quero certificar que ainda não te esqueci só estava com um bocado de receio...
Vivo dias um tanto quanto pacatos, meu pijama velho não sai do meu corpo, assim como minhas meias floridas e o desânimo. Dias conturbados lá fora e eu aqui presa em mim mesma. Ando lendo, assistindo e observando demais. Muita coisa realmente mudou desde aquela sexta-feira. Mas, só— quero que essa turbulência e esse congestionamento de sentimentos passe, que calmaria volte a fazer parte de mim. E que, com ela, você retorne!

Nunca ausente

Caminho ao teu encontro mas me parece que não andas mais por ali. A moça da livraria me disse que te viu passando reto e por ali não ficou. O rapaz da cafeteria disse que se encontrou contigo naquele barzinho de esquina que você julgava repudiante. Seu cheiro eu gravei mas hoje não sinto mais nada, talvez meu olfato esteja trapaceando. Foi-se e levou consigo não só cartas e fotos mas sim memórias, do que foi bonito enquanto estava firme, que foi verdadeiro enquanto permanecíamos na mesma estrada, e que hoje só está presente no coração.

Não foi um amor de verão


E lá estávamos nós. O ano era 1997 e o verão estava acabando. Eu não aguentaria pensar que fomos só uma estação, que conforme passariam os dias eu te veria mais longe. Eu a norte, você a sul. Não tínhamos mais que uma semana juntos até que fossemos engolidos pela rotina. Eu não me veria mais naquela metrópoles, apressada para escrever qualquer notícia banal pro jornal da cidade. Não me veria enfrentando trânsito e gente hipócrita como de costume. Passava noites em claro pensando o que seriam dos meus dias sem você ao meu lado pra torná-los pacíficos. Mas eu não podia evitar o fim.
Era domingo, o primeiro por sinal que passara nublado, talvez os céus estivessem se fechando para tornar aquilo ainda mais deplorável. Com um beijo doce selamos nosso encontro. Olhei até a neblina cobrir seu carro na estrada e então nossos bons momentos me passaram à cabeça e uma lágrima automaticamente desceu.
Se passaram 10 anos e ainda lembro perfeitamente de você. O tempo foi cruel e demorou a passar, mas passou tão bem que hoje, pela primeira vez sorrisos são brotados quando recordo-me do verão de 97.

Meu pássaro voou

Eu não era assim, tão seca, tão sem vida, tão fria. Eu já amei. Isso aconteceu à uns anos atrás. Era amor, recuso-me acreditar que era paixão ou qualquer outro sentimento que me causasse confusão. Era sim, eu o sentia correr nas veias. Cada átomo meu, de cada célula minha, o implorava. Passava horas a escrever sobre cada gesticulada sua, cada músculo que se contraia quando você se dirigia à mim, incrível. Você era minha arma secreta contra a realidade, uma espécia de abrigo, de fuga. Mas o tempo, nada piedoso quis acabar com minha felicidade, assim, nos distanciando. Distância, não de corpo, talvez de coração. Por muito tempo tentei reaproximação mas não foi suficiente. Você não voltou e eu o deixei ir, não por falta de amor mas lembra de quando dizia que o seu maior sonho era voar? Te concedi, voaste para longe de mim.

sábado, 2 de junho de 2012

Morro lentamente

Morre lentamente quem se torna escravo da rotina, quem não ouve musica constantemente, quem não lê um bom romance, quem não se levanta mais cedo só pra ver o sol nascer, quem não troca o caminho para o trabalho, quem não jante em companhia, quem não faz exercício físico, quem não tem contato com a natureza e quem não ama.

Amada, tu é vida pra minh'alma

Antes mesmo de lhe encontrar, amada, eu não era eu. As canções e poesias eram apenas palavras soltas. O canto dos pássaros era só um barulho que me irritava pela manhã. As flores, não eram tão perfumadas. Tudo era inválido, morto e vazio. As pessoas, não mais que um corpo. Antes de ti, amada, só conhecia bares empoeirados e bebidas fortes. O mundo era decaído, não era meu!

Não tire-se de mim

Se quiseres tira-me o pão, tira-me o ar, mas não tires teu riso. Tira-me a música, a leitura e Neruda mas não penses em tirar teu riso. Poderás de mim tirar o céu, a lua, as estrelas, mas nunca teu riso. Tire-me tudo, inclusive um riso meu com o teu riso.

Aprendi que não vivemos de esteriótipos...

Aprendi que não vivemos de esteriótipos, ninguém é sensível ou bruto o tempo todo. Aprendi que não se deve querer explicação de tudo. Não devemos nos perguntar porque uma pessoa saiu de nossas vidas, sem saber o porque um dia entraram. Não devemos procurar explicar sentimentos, na verdade, se fossem explicáveis, não seriam dentro da gente. Mas acontece que desde que nascemos nos dizem que a vida tem um porque, porém não existe nenhum ser humano apto á explicar como chegamos nesses porques, ou que de fato provasse que existe um porque. Discordo de tudo aquilo que venho ouvido á anos, nada é predestinado assim, a vida vem sendo uma estrada bifurcada, está há rumos diferentes á serem seguidos. Destino é uma desculpa para os preguiçosos deixarem como estar, esperando por mudanças. Mas vou te falar, a mudança começa dentro da gente.

Você não veio, Newton está errado

Já dizia Newton em sua terceira lei "A toda ação há sempre uma reação". Entre nós não foi diferente, no começo pra qualquer ação minha havia uma reação sua. E se caminhássemos assim, iríamos longe. Hoje não funciona mais assim, há minha ação de te esperar, e sua reação era voltar, mas não, Newton não está certo!

Enquanto o sol entrar-me vivo e ardente, repetirei

Jurei que a todo amanhecer repetiria em voz baixa a seguinte frase "Lutar contra essa sentimento ruim que está me rondando, essa coisa vil e pecaminosa. Eu sei. Isso não me levaria a lugar algum."

Querido amor,

Imersa num mar de devaneio com um coração dilarcerado, venho por meio dessa carta suplicar-lhe tua volta. Meu corpo precisa da doçura dos teus lábios, do calor dos teus toques, do cheiro dos teus cabelos, dos teus beijos, ah moço, teus beijos [...]

Exatamente assim!


Ele me conhece melhor que eu.

Ninguém nunca havia me descrito daquele jeito. Não dava nada por aquele cara de barba quase branca e voz estridente. Até que hoje, ele fez o que ninguém nunca ousou antes. Em cada frase que ele dizia sobre mim havia uma emoção e uma lembrança diferente. Ele não via só meus olhos, ele via além! Começou dizendo que eu não era confiável, ora, quem ele pensa que é pra dizer que não sou confiável sem ao menos me conhecer? De começo, confesso, fiquei assustada. Mas depois de esboçar seus argumentos, vi que ele estava certo! "Você não é confiável, você é várias pessoas dentro de uma mente, dentro de um corpo. Seu rosto, por mais dócil que seja, é sombrio. Seu sorriso é um dos mais bonitos que já vi, mas são daqueles que hipnotizam e depois matam, pena que você raramentos os usa - sorri na hora -. Você, nunca olha dentro dos olhos, foge de alguma coisa na qual eu ainda não sei. Seu olhar é sublime. Sua alma é da cor dos seus cabelos. Você é acanhada, enrustida, mas não de propósito. Vou lembrar-me de você quando ouvir "Clarisse", perdoe-me a indiscrição mas vou citar uma parte da musica: "E Clarisse está trancada no banheiro, e faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete (...) E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito, Clarisse sabe que a loucura está presente, e sente a essência estranha do que é a morte. Mas esse vazio ela conhece muito bem..." - não pude deixar de mostrá-lo as marcas nos meus braços, estão fracas mas ainda sim visíveis -. Então, ele concluiu dizendo: Nunca fique perto de mim quando estivermos á noite! - rimos -" Será que essa sou eu mesma? Já que sou várias pessoas em uma só, quem sou agora? E de onde vinha tanta sabedoria daquele homem que se esconde por detrás dos desenhos? Sou Clarisse? Essas são só mais algumas perguntas nas quais nunca saberei das respostas.