segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Querida Clara,

hoje fui convidado para um jantar na casa de Margareth e Caetano (que sentem sua falta), não os vejo à tempos. Estou esperando dar minha hora pr'eu poder tomar banho, já até me acostumei a não ter camisas engomadas e sapatos limpos.  Mas mesmo depois de quase quarenta anos não me acostumei com essa saudade que me clausura. Não me leve a mal Clara, mas é melhor você aí. Você é doce demais pra ver o que este mundo (hospício) se tornou. Estava lendo o jornal de semana passada (costume que eu não perco nunca) e toda essa politicagem, todos esses assassinatos me chocaram. Seus olhos não mereciam ver isso. Se você estivesse aqui ficaria bem triste ao ver a quantas anda a vida. É tanta hipocrisia, meu bem. Mas penso que é lindo aí, onde você está. Deve tocar "For Me and My Gal" e ter cheiro de perfume. E todos aí devem te adorar, porque com a sensibilidade que tens... Ah Clara, estou entre suspiros, tento ser forte mas as palavras "forte" e "eu" não condizem. Imagino que logo-logo estarei junto à ti. Aguarde-me com um punhado de rosas brancas, meu amor.

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