quarta-feira, 1 de agosto de 2012

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Maria,

Pensei que nunca mais irias ser a dona de minhas palavras. Talvez não queiras nem ver minha caligrafia torta, mas eu preciso lhe contar como está sendo esse mês sem você.
A casa está uma reviravolta e acabei por perder o controle da tevê. Os discos empoeiraram junto com o restante das coisas. Maria, as madeiras estão ocas e isso fede. As paredes abstruíram um tom cinza e os móveis o mofo.
Darling, isso são apenas superficialidades. A casa, uma banalidade. O fato é que aqui dentro está uma reviravolta. Maria, eu sempre lutei pra nunca sentir o amargo desses dias sem você. Os mesmo estão sendo tortuosos e a máquina de escrever não largo. Foram inúmeras cartas escritas não enviadas. Cartas de "volta pro seu Zé, Maria" "tá doendo Maria". Isso tudo pode parecer meio desesperador, mas eu não consigo não ser assim. Nunca fui tão fraco e vazio.
Queria sentir ódio de ti, mas dizem por aí que ódio é o princípio do amor. Estarei então destinado a te amar sempre, Maria?
Talvez seja bobeira demais eu amar tanto, amar esse sotaque seu de lugar-nenhum, amar o jeito dos teus desenhos e amar o doce dos teus lábios. Mas eu não sei fazer nada à não ser te amar. Eu te amo Mariazinha, e não tenho mais o que escrever.
P.S: guarde essa carta junto as outras na caixinha encima do teu armário que amanhã vou praí ver se ela tá lá mesmo. Sem complexidades, só me deixa entrar (e ficar).
Um beijo
teu  Zé.


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