sábado, 21 de julho de 2012

Um dia qualquer

A manhã gélida entrara em seu quarto pelas frestas das janelas e de manhã me acordara com uma brisa refrescante. O pássaros cantarolavam em uma perfeita sintonia. E as árvores dançavam, as folhas secas se esgueiravam pelo chão, os carros buzinavam juntos formando um conjunto sinfônico, os dedos se estralavam, o café derramava, os livros se abriam, as portas se fechavam e a criança do cabelo enroladinho chorava e chorava. Uma jarra de liquidificador essa vida, tudo misturado. Um adolescente sem fôlego por ver sua paixão e um bebê molhando a fronha de baba com sua risada. E a tarde chega sorrateira emudecendo a manhã com cheiro de bolo de fubá e suco de laranja caído no tapete da sala. O barulho da tevê se misturando com aquela voz grossa que vinha do rádio. O sol lá encima deixava o céu mais límpido. Olhos piscam, as mãos se cruzam, o vento quente penetrava em seus poros. Ouve-se a porta rangir, o barulho que faz a vassoura passeando pela casa, ouve-se o silêncio que gritava e o seu coração em cada batida. Adeus tarde. E a noite chega com todo aquele brilho natural que ofuscava a tarde. E as estrelas salpicavam naquela imensidão escura, as luzes se apagavam enquanto os pensamentos e o isqueiro se acendiam, o cigarro queimava e a boca fechava. Sentimentos florescem e padecem. Era só um dia como qualquer outro.

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