segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Ó Senhorita

Ontem à noite eu a deixei despida debaixo de meus edredons. Vi a lua pairar na janela e teu corpo pairar sobre o meu. Os seus olhos eu vi fechar e sua mão repousar por entre suas pernas. A senhorita, musa das pinturas mais belas, obra-prima, escultura de Zeus, desejo consumado por qualquer carne humana agora estava ali adormecida entre meus suspiros e anseios. Sua pele macia arrepiava quando se colidia com a minha. E aos gemidos aquela fora a melhor madrugada de minha vida.
Logo amanhecera, o sol raiava num diáfano e aos poucos enchia nosso ninho de luz. Passei a mão pelo lençol de seda até conseguir tocar-lhe o corpo, mas no lugar onde a senhorita deveria estar se ocupava do vazio. Meus olhos ainda com dificuldade para abrir, procurou-a em todo canto do quarto, em vão. Até que num relance vi uma brancura que vinha da cozinha. Era a senhorita, apenas preparando o café.

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