quarta-feira, 27 de junho de 2012

Como eu pude acreditar, seu moço?

Desgraçadamente, você fez do meu sossego carnaval, levou toda a minha sanidade. Eu não esperava, embora soubesse que não ia ser como os romances de 1970. Nosso amor era mais sujo que o banheiro de um Saloon. Ora, como pôde! As rosas são tão mal-cheirosas, como pôde, seu moço! Quero meu drinque, já que você me falta!

Paz, ainda te espero

Um fluxo. Um caos. Uma desordem de anti-corpos. Hormônios à flor da pele. E o psicológico mais destruído que as Torres Gêmeas. Nunca estaria em paz consigo mesma. Tudo era uma banalidade, uma lástima, uma perda de tempo. O vazio nunca foi tão profundo, a sensação era de que algo que em seu peito cravaram. A felicidade à sua porta nunca bateu, mas também nunca quis felicidade. Procurara por um pouco de paz, e isso ela nunca teve.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Por que?

Se seu destino era nascer, crescer, reproduzir e morrer por que só amou, amou, amou e amou?

domingo, 17 de junho de 2012


"Quem é essa Clementine que ninguém nunca viu?"

"Quem é essa Clementine que ninguém nunca viu?"
Clementine sou eu de uma forma mais intensa e imprevisível. Clementine é tudo o que eu queria ser e não sou. Clementine é meu interior, é o reflexo que vejo quando olho no espelho, no caso, eu mesma. Clementine é doce, pura e sabe amar. É o que falta em mim, ou o que talvez sobra. Ela vive longe da realidade. Talvez viva no escapismo. Clementine é pra mim o mesmo que Álvaro de Campos é pra Fernando Pessoa. Um heterônimo! Daria de tudo para ser como Clementine.

Sou meu veneno

Estou em um ciclo infindável. Um buraco no qual eu cavei e não acho a saída. Num jogo vicioso. Num labirinto inacabável. Num mar de agustia e tristeza. No vasto "eu". Seria eu mesma meu próprio veneno?

Era um caso raro

Não se enquadrava ali junto as outras pessoas de sua idade. Eram uns dementes - pensava -. Repudiava rapazes com muito no braço e pouco na cabeça. Moças que se davam por tão pouco achava o cúmulo da burrice. Não, não era santa, de santa passava longe! Talvez só fosse alguém que tinha o silêncio como sua companhia. Seus melhores amigos eram os mais perigosos, cigarros! Pobre moça, era ela. Passava o dia todo em seu quarto lidando com suas músicas poético-dramáticas e ao fim do mesmo esperava a barulhenta casa dormir para poder chorar. Não tinha ela motivos para chorar, mas ela era diferente. Sofria de sentir, sentia dores passadas, presentes, futuras e alheias. Não era nem um pouco bonita nem a mais desejada da turma - era feliz por isso -. Seu tênis estava sempre sujo e suas camisas amarrotadas. Seu comportamento era apático. E seus olhos era um labirinto no qual qualquer pessoa se perdia. Mas mesmo com tudo isso ela era a moça mais linda que já vi. Não pelo que tinha de fora, mas sim pelo que habitava dentro dela. Ninguém nunca havia me despertado tanto interesse, a moça era incrível!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Sorte de Colombina

                                           Quem é que não quis ser Arlequim e acabou por ser Pierrô?

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sofro de Ceticismo

De que vale a vida? - nada, exclamava -. Quando crianças ouvimos sobre o certo e o errado. Mas o certo não existiria se não houvesse o errado? O que seria esse tal erro? Seríamos mesmo quem pensamos que somos? E se não pensássemos em que somos, o que seriamos? Precisamos daquilo que chamam "indispensável"?  Seria a vida predestinada? Nascemos, crescemos e o que é seu o destino dá um jeito de ajeitar?
E o mundo? Foi uma explosão ou foi criado por um ser supremo nunca visto? E se não existisse ciência ou religião, tudo seria explicado através de um mito? Ou tudo é um mito? E se houvesse uma Terceira Guerra Mundial? Teríamos alguns benefícios como tivemos na Segunda? Mais guerra ou mais paz?
Se lutássemos pela paz, seria apologia à guerra? Por que tantas perguntas e nenhum ser apto à respondê-las? De que vale mesmo a vida?

domingo, 10 de junho de 2012

Nota da noite:

Queria tua voz para afagar meus ouvidos sussurrando qualquer canção ou  me mandando ir à puta que pariu.

Perdoe-me por chamá-lo de meu, e de amor

Encontro-me pálida e sem vida. A dor, onipresente. Não há céu claro, não há vento; as janelas trancadas, e a porta por igual. E tu meu amor? Nem sei por onde andas...

sábado, 9 de junho de 2012

Annabel para Enoch

"Existe um pássaro que acha que morre sempre que o sol se põe. De manhã, ao acordar, ele fica chocado de ainda estar vivo, então canta uma canção linda." Eu canto todas as manhãs desde que te conheci.

00:44 pm

Não sei por quê estou escrevendo nem pra quem. Não sei que rumo esse texto vai tomar. Estava rabiscando uma folha branca e não satisfeita quis jogar algumas palavras nas quais eu também não sei se sairão. A solidão é minha companheira. É madrugada gélida de sábado. Estou sem sono e desanimada. Não tenho nada além de um disco velho, um livro de Graciliano Ramos, um copo de leite quente e alguns versos soltos no meu caderno, também não preciso mais que isso. Não sei como terminar isso, comecei sem saber e o fim não vai ser diferente, contente-se leitor com não mais que as reticências...

Sobre as pessoas

Eu gostava de observá-las. Era legal ir ali em horários comerciais para ver a aglomeração se formando. Tão apressadas, tão bem-vestidas. Onde iriam com tanto pressa? - gostava de imaginar -Por que cada uma era diferente da outra? As olhava em seus mínimos detalhes, do andado ao piscar de olhos. Em cada rosto um sentimento. Umas me passavam serenidade, outras tormenta e algumas chegavam a me dar medo. Meus olhos às fotografavam na memória. Eram centenas, milhares até, que faziam seu trajeto por ali. Por que somos tantas e nenhuma é igual a outra? Sempre gostei de me questionar. Talvez um dia eu ache as respostas ou talvez acabe descobrindo novas perguntas, eu não tinha certeza de quase nada, mas sabia que aquilo ali era magnífico.

O seria a vida então?

Escrever sobre o que não aconteceu é fácil. Imaginar pessoas, histórias e lugares diferentes é água com açúcar.   Quero ver quem sofreu, lutou e perdeu um amor escrever. Quem na desventura conseguiu conciliar fatos com palavras bonitas. Viver vai além da imaginação, vai além de escrever sobre dois alguém inexistentes se conheceram e blá blá blá. A vida é bem mais que isso... a menos que você se torne um autor de novela.

Estava em desacordo

                      Ter uma árvore, plantar um livro e escrever um filho. Estava em desacordo.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Love me tender, love me sweet. Never let me go.

Quando o cheiro dos meus cabelos sairem dos teus olfatos, quando não souberes quais são as curvas do meu corpo, quando ouvires minha voz mais distante de ti, quando a primeira carta que lhe escrevi estiver ficando amarela, olhe para as fotos que tiramos no parque central sob as pedras, elas sim são prova de que nos amávamos, vista aquela camisa vermelha que eu sempre adorei e você sempre a vestia para me agradar, ouça "Love Me Tender" na versão do Elvis e vá para um bar. Peça uma dose de Absinto e chore porque perdeu o grande amor da sua vida.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Primeiro pensamento do dia:

Você pra mim é o que Drummond escrevia pelas madrugadas.

...


Quero seu silêncio, nu e cru

- Não. Eu não vou sair de perto de você. - prometeu
Na verdade, eu não me importava com suas palavras. A pergunta foi pra deixar claro o que era notório - eu estava apaixonada -. De falsas palavras e promessas eu já estava farta. Eu sabia que aquilo ali não chegaria à um lugar algum. Eu não gostava do seu "foda-se tudo", não gostava do cheiro seus cigarros e dos porres no final de semana. Essa história de "os opostos se atraem" não funciona com a gente. Na nossa versão, os opostos é que se perdem. Mas de um certo modo eu gostava daquilo. Me agradava seu jogo. As vezes gostava de jogar no ataque do campo oposto. Mas às vezes não quer dizer sempre, por que ali junto a ti eu não procurava por jogo algum. Eu só (te) precisava, não como um adversário mas quem sabe como um amor, um amigo que me coubesse dar um beijo, um abraço, um afago sempre que precisaste. E minhas perguntas meu amor, não responda. Não crie mais danos com palavras ou promessas, aqui dentro já está dilacerado demais.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Que sensação boa, obrigada Chico!

Eu chamaria aquele dia de merda. Internet, tv e celular estavam extremamente cheios de pessoas que não me interessavam nem um pouco. Eu não tinha pra onde ir ou com quem ir. Eu não tinha nada além de um rádio velho escondido em meio a tanta bagunça no meu quarto. Não sabia de onde vinha aquele rádio, não lembrava de ninguém que pudesse ter me dado. Na curiosidade o tirei do fundo do meu guarda-roupa e o livrei de tanta poeira. Decidi ligá-lo e deixá-lo em uma estação qualquer. Logo então começou uma bela musica. Eu não sabia quem a cantava, mas a voz era doce e a letra de uma tamanha sutileza. Embalada por aquele som me vieram alguns pensamentos à respeito de um moço que amei algum tempo atrás. A musica diz respeito à uma pessoa que amava outra antes mesmo de conhecê-la. O que havia acontecido comigo e aquele moço, eu sentia que iria conhecê-lo antes mesmo de tal acontecimento. E eu que me jurava longe daquele tormento depois que ele foi embora me vi retrocedendo à alguns anos. Cada verso simples tinha um pouco de mim, de nós, talvez. Dizia que ela - a pessoa - descartava os dias em que não o via, como eu fiz por um certo tempo. O conjunto de palavras formavam uma poesia sem igual, era um misto de beleza e leveza. Até que a musica acabou. Se até mesmo uma bela musica acabaria, quem diria um amor? E então o "dia de merda" passou para o "dia de lembranças".

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Paris, 2012

Desculpa demorar-te a te escrever quero certificar que ainda não te esqueci só estava com um bocado de receio...
Vivo dias um tanto quanto pacatos, meu pijama velho não sai do meu corpo, assim como minhas meias floridas e o desânimo. Dias conturbados lá fora e eu aqui presa em mim mesma. Ando lendo, assistindo e observando demais. Muita coisa realmente mudou desde aquela sexta-feira. Mas, só— quero que essa turbulência e esse congestionamento de sentimentos passe, que calmaria volte a fazer parte de mim. E que, com ela, você retorne!

Nunca ausente

Caminho ao teu encontro mas me parece que não andas mais por ali. A moça da livraria me disse que te viu passando reto e por ali não ficou. O rapaz da cafeteria disse que se encontrou contigo naquele barzinho de esquina que você julgava repudiante. Seu cheiro eu gravei mas hoje não sinto mais nada, talvez meu olfato esteja trapaceando. Foi-se e levou consigo não só cartas e fotos mas sim memórias, do que foi bonito enquanto estava firme, que foi verdadeiro enquanto permanecíamos na mesma estrada, e que hoje só está presente no coração.

Não foi um amor de verão


E lá estávamos nós. O ano era 1997 e o verão estava acabando. Eu não aguentaria pensar que fomos só uma estação, que conforme passariam os dias eu te veria mais longe. Eu a norte, você a sul. Não tínhamos mais que uma semana juntos até que fossemos engolidos pela rotina. Eu não me veria mais naquela metrópoles, apressada para escrever qualquer notícia banal pro jornal da cidade. Não me veria enfrentando trânsito e gente hipócrita como de costume. Passava noites em claro pensando o que seriam dos meus dias sem você ao meu lado pra torná-los pacíficos. Mas eu não podia evitar o fim.
Era domingo, o primeiro por sinal que passara nublado, talvez os céus estivessem se fechando para tornar aquilo ainda mais deplorável. Com um beijo doce selamos nosso encontro. Olhei até a neblina cobrir seu carro na estrada e então nossos bons momentos me passaram à cabeça e uma lágrima automaticamente desceu.
Se passaram 10 anos e ainda lembro perfeitamente de você. O tempo foi cruel e demorou a passar, mas passou tão bem que hoje, pela primeira vez sorrisos são brotados quando recordo-me do verão de 97.

Meu pássaro voou

Eu não era assim, tão seca, tão sem vida, tão fria. Eu já amei. Isso aconteceu à uns anos atrás. Era amor, recuso-me acreditar que era paixão ou qualquer outro sentimento que me causasse confusão. Era sim, eu o sentia correr nas veias. Cada átomo meu, de cada célula minha, o implorava. Passava horas a escrever sobre cada gesticulada sua, cada músculo que se contraia quando você se dirigia à mim, incrível. Você era minha arma secreta contra a realidade, uma espécia de abrigo, de fuga. Mas o tempo, nada piedoso quis acabar com minha felicidade, assim, nos distanciando. Distância, não de corpo, talvez de coração. Por muito tempo tentei reaproximação mas não foi suficiente. Você não voltou e eu o deixei ir, não por falta de amor mas lembra de quando dizia que o seu maior sonho era voar? Te concedi, voaste para longe de mim.

sábado, 2 de junho de 2012

Morro lentamente

Morre lentamente quem se torna escravo da rotina, quem não ouve musica constantemente, quem não lê um bom romance, quem não se levanta mais cedo só pra ver o sol nascer, quem não troca o caminho para o trabalho, quem não jante em companhia, quem não faz exercício físico, quem não tem contato com a natureza e quem não ama.

Amada, tu é vida pra minh'alma

Antes mesmo de lhe encontrar, amada, eu não era eu. As canções e poesias eram apenas palavras soltas. O canto dos pássaros era só um barulho que me irritava pela manhã. As flores, não eram tão perfumadas. Tudo era inválido, morto e vazio. As pessoas, não mais que um corpo. Antes de ti, amada, só conhecia bares empoeirados e bebidas fortes. O mundo era decaído, não era meu!

Não tire-se de mim

Se quiseres tira-me o pão, tira-me o ar, mas não tires teu riso. Tira-me a música, a leitura e Neruda mas não penses em tirar teu riso. Poderás de mim tirar o céu, a lua, as estrelas, mas nunca teu riso. Tire-me tudo, inclusive um riso meu com o teu riso.

Aprendi que não vivemos de esteriótipos...

Aprendi que não vivemos de esteriótipos, ninguém é sensível ou bruto o tempo todo. Aprendi que não se deve querer explicação de tudo. Não devemos nos perguntar porque uma pessoa saiu de nossas vidas, sem saber o porque um dia entraram. Não devemos procurar explicar sentimentos, na verdade, se fossem explicáveis, não seriam dentro da gente. Mas acontece que desde que nascemos nos dizem que a vida tem um porque, porém não existe nenhum ser humano apto á explicar como chegamos nesses porques, ou que de fato provasse que existe um porque. Discordo de tudo aquilo que venho ouvido á anos, nada é predestinado assim, a vida vem sendo uma estrada bifurcada, está há rumos diferentes á serem seguidos. Destino é uma desculpa para os preguiçosos deixarem como estar, esperando por mudanças. Mas vou te falar, a mudança começa dentro da gente.

Você não veio, Newton está errado

Já dizia Newton em sua terceira lei "A toda ação há sempre uma reação". Entre nós não foi diferente, no começo pra qualquer ação minha havia uma reação sua. E se caminhássemos assim, iríamos longe. Hoje não funciona mais assim, há minha ação de te esperar, e sua reação era voltar, mas não, Newton não está certo!

Enquanto o sol entrar-me vivo e ardente, repetirei

Jurei que a todo amanhecer repetiria em voz baixa a seguinte frase "Lutar contra essa sentimento ruim que está me rondando, essa coisa vil e pecaminosa. Eu sei. Isso não me levaria a lugar algum."

Querido amor,

Imersa num mar de devaneio com um coração dilarcerado, venho por meio dessa carta suplicar-lhe tua volta. Meu corpo precisa da doçura dos teus lábios, do calor dos teus toques, do cheiro dos teus cabelos, dos teus beijos, ah moço, teus beijos [...]

Exatamente assim!


Ele me conhece melhor que eu.

Ninguém nunca havia me descrito daquele jeito. Não dava nada por aquele cara de barba quase branca e voz estridente. Até que hoje, ele fez o que ninguém nunca ousou antes. Em cada frase que ele dizia sobre mim havia uma emoção e uma lembrança diferente. Ele não via só meus olhos, ele via além! Começou dizendo que eu não era confiável, ora, quem ele pensa que é pra dizer que não sou confiável sem ao menos me conhecer? De começo, confesso, fiquei assustada. Mas depois de esboçar seus argumentos, vi que ele estava certo! "Você não é confiável, você é várias pessoas dentro de uma mente, dentro de um corpo. Seu rosto, por mais dócil que seja, é sombrio. Seu sorriso é um dos mais bonitos que já vi, mas são daqueles que hipnotizam e depois matam, pena que você raramentos os usa - sorri na hora -. Você, nunca olha dentro dos olhos, foge de alguma coisa na qual eu ainda não sei. Seu olhar é sublime. Sua alma é da cor dos seus cabelos. Você é acanhada, enrustida, mas não de propósito. Vou lembrar-me de você quando ouvir "Clarisse", perdoe-me a indiscrição mas vou citar uma parte da musica: "E Clarisse está trancada no banheiro, e faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete (...) E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito, Clarisse sabe que a loucura está presente, e sente a essência estranha do que é a morte. Mas esse vazio ela conhece muito bem..." - não pude deixar de mostrá-lo as marcas nos meus braços, estão fracas mas ainda sim visíveis -. Então, ele concluiu dizendo: Nunca fique perto de mim quando estivermos á noite! - rimos -" Será que essa sou eu mesma? Já que sou várias pessoas em uma só, quem sou agora? E de onde vinha tanta sabedoria daquele homem que se esconde por detrás dos desenhos? Sou Clarisse? Essas são só mais algumas perguntas nas quais nunca saberei das respostas.