segunda-feira, 28 de agosto de 2017

"mesmo que você não esteja mais do meu lado algum dia,
o que tivemos hoje, ontem, há três semanas, há um mês - e desde o momento em que começamos a nos gostar - será sempre bonito, e eternas serão as lembranças.
sempre tive essa mania de medir a beleza de sentimentos de acordo com o tempo de duração dos relacionamentos - o que sempre me frustrou, porque vivi diversas relações frágeis e rápidas ao longo da vida.
mas ultimamente eu tenho parado pra pensar, encostado a cabeça no seu ombro (mesmo que na minha imaginação) e fechado os olhos te ouvindo dizer que nada dura pra sempre.
mas a gente pode agir como se durasse.
se é acreditar na eternidade do que temos que fará com que a entrega seja completa, então eu acredito.
acredito, porque sei que mesmo que um dia eu não tenha mais a sua presença física
e você se esqueça da cor dos meus olhos
e de como todos os meus tipos de sorriso parecem safados,
eu te levo dentro de mim.
mesmo que um dia o nosso sentimento tenha se tornado fraco demais pra que nos lembremos dos nossos momentos juntos
parte do que você se tornou sempre vai ter um toque meu.
parte do que eu sou sempre vai ter um detalhe acrescentado por você.
o que você me ensinou (mesmo sem querer, mesmo sem tentar), no fim das contas
é que o amor não é medido pelo tempo de duração. pode ser que dure um dia, três anos, dois meses ou uma vida
mas o que faz com que ele seja essencial e único
é a marca que deixa naquele que ama. e em quem é amado.
hoje, eu sou outra pessoa. e você também.
por mais que você já tenha amado cinquenta vezes e eu, quem sabe, duas
cada amor é único
e é única a transformação que geramos um no outro.
é, assim
infinito, em nós, o que sentimos agora."

#tcd

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

02/08/2017 - 21h14

hoje eu apaguei o único vestígio material da nossa história no universo. ninguém mais saberá que o nosso amor andou lado a lado por ruas de tantas cidades. o novo moço da padaria que ficava ao lado na tua casa não saberá de nós e do nosso pedido favorito. a rua deserta que assistiu tantas vezes o nosso amor já está pavimentada, construíram casas, construíram muros. o vento que balança a rede não faz ideia do quão bem nos encaixavamos dentro de uma. os vizinhos não mais ouvirão gritos e gemidos, não escutarão o nosso amor se transformando em barulho.

hoje o nosso nós dentro desse universo não mais existe.
é a morte do eu e você diante do mundo.

eu assassinei para o mundo e engoli nosso amor. ele vive dentro de mim.
eu botei no colo nossas lembranças mais frágeis e as apertei contra mim para que se sintam seguras dentro do meu corpo. o mundo não as merece, o mundo não precisa ver para que elas continuem existindo.

seu último vestígio apagado hoje do universo dizia que foi bonito demais e pouco feio.
eu concordo.

você estará em meu peito seja aqui ou em Recife. nada me fará apagar as lembranças desse teu olhar que é firme como a terra.

(meu fogo sempre será capaz de acender qualquer faísca)

att.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

está tudo bem.

é o que você me diz todas as noites.

sua voz que ainda ecoa pelas paredes do meu quarto, porque ainda está entranhada aqui, está em algum lugar no meio desse monte de concreto que eu não consigo arrancar, onde as minhas unhas não perfuram como perfuravam a tua pele. 

está tudo bem, você repete.

e eu te procuro entre o que está aqui e o já que se perdeu, no meio de travesseiros e cobertores porque são dias frios demais e tudo aqui dentro é quente demais. é onde meu corpo entra em transe porque o choque térmico começa e agonia nasce, é no meio de uma noite que não tem amanhecer.

eu queria que estivesse tudo bem.

mas você invade minha paz todas as noites. quando eu fecho os olhos, me transporto para o fundo do meu subconsciente e é aí que eu vejo você. mas você está atrás de uma parede de vidro que é imune aos meus gritos. e minha parede continua não sendo tão forte quanto a tua, é o que faz meu coração sangrar. eu continuo me prostrando aos pés da tua parede de vidro.

você me olha sem demonstrar emoção e eu espero aquele sorriso aberto de quem podia me envolver nos braços até o fim dos tempos.

agora é o fim dos tempos.

e eu não quero acordar disso essa noite.

está tudo bem, mas afinal, para quem?

terça-feira, 30 de maio de 2017

As pessoas parecem flores finalmente

Há flores por todos os lados
No meio da dor,
você me deu a mão
e fez a primavera voltar,
coloriu pacientemente
o cinza que sobrou.
Agora as pessoas
parecem flores
finalmente,
meu amor.

Bukowski

sábado, 1 de abril de 2017

EU DEVERIA TER ESCRITO ISSO

"Do lado da cama a agonia mora. Você dorme feito um anjo, nem percebe. Ou eu sou grande demais que tudo me atinge. Ou eu sou pequena demais e tudo tem um peso desproporcional. Aquela agonia subindo no peito. Uma hora explodirei enquanto você dorme. Enquanto você silencia e eu agonizo. Nem uma pólvora ousou atingir você? Nenhum dia você abriu as janelas, dobrou os lençóis e percebeu entre um movimento rotineiro e outro que alguma coisa tinha mudado? Você nunca sabe o momento exato que perde alguém. Pode ser na fila do caixa enquanto algumas compras são colocadas com muita pressa e tudo é feito de uma forma automática demais ao seu lado. Pode ser na hora em que se solta um “cansei” e como é isso de cansar-se de alguém feito um objeto descartável? Pode ser enquanto as contas são pagas e, aquilo que poderia ser ressignificado para se tornar menos entediante, passa a ser entendiante e nada mais. Pode ser enquanto você dialoga sozinho do outro lado do muro  e o que se escuta é só o eco da própria voz. Pode ser enquanto alguém dorme e uma agonia cresce do lado de lá. Do grande muro recém-formado da nossas relação.
Você nunca sabe quando está prestes a perder alguém, mas sabe o momento exato em que se perdeu por alguém. E isso é o que verdadeiramente dói."

#textoscrueisdemais

sábado, 4 de março de 2017

cada um vive o luto à sua maneira

meus amigos dizem que eu preciso sair de casa e ocupar minha cabeça com outras coisas, eu penso que devo deixar essa ferida doer. eu vou deixar doer mais duas noites, vou deixar que me rasgue e que nossas lembranças me torturem por mais essas duas noites, para que eu possa me reinventar na segunda feira.

eu ainda estou aqui, parada, bem no lugar onde você me deixou.

ontem à noite eu me senti errada quando senti que o último gosto que estava na minha boca não era o seu e que as marcas no meu quadril não foram feitas pelas suas mãos. Deus, como eu queria que fosse você!
ontem à noite ainda parecia tão irreal, que eu sentia que a qualquer hora você poderia mandar uma mensagem pros meus amigos e aparecer ali naquela boate pra dizer que toda essa situação não dá e que é melhor esquecer isso tudo e recuperar o nosso amor (que não está morto e sim cansado).
mas não aconteceu.

as minhas primeiras lágrimas que eu tentei correr delas o dia todo vieram naquele momento.
depois de contar a nossa história no fumodromo, eu corri para o banheiro e chorei.
a moça estava me esperando.

a minha maneira de viver o luto vai ser te deixando em cada linha que eu escrever sobre o quanto ainda há você em mim e cada trago que dou no meu cigarro, vai expelir você de mim junto com a fumaça.

eu vou sofrer por mais duas noites e vou te esperar por duas noites, mas a segunda feira vai ser o meu recomeço.

(por favor, não deixe que chegue a maldita segunda-feira)

sexta-feira, 3 de março de 2017

a bondade do universo depois do fim

a minha primeira reação depois do fim foi dar um gole naquele uísque amargo, na intenção do uísque arder mais que o seu amor estava me ardendo.
a cada fumada que eu dava no cigarro era com a intenção daquela fumaça me adentrar e levar você embora de mim a cada trago.
eu não podia prever o fim naquele dia.
mas o universo podia prever e ele foi bondoso comigo ao me colocar sob um céu de uma noite bonita, ao me trazer um vento de alívio, que ao tocar o meu rosto me fez relembrar que existem outros toques suaves, além do teu.
sentada ali, fumando aquele cigarro eu pude refletir que houve sobrevivência após o furacão Katrina, vai haver vida depois de você.
vai haver uma vida par, um par comigo mesma até que minha reserva de amor se encha novamente e possa transbordar em algum colo menos hostil.
está completando doze horas sem você e não tive nenhuma lagrima, mas quando essa ausência se materializar mais forte em mim, você sabe que eu, como uma legítima melancólica vou me pegar botando a última música que eu te enviei, que dizia "como se nos amamos feito dois pagãos, teus seios ainda estão nas minhas mãos, me explica com que cara eu vou sair?" e vou sentir sua falta por três noites seguidas.
e vai passar permanentemente como você não passou.
hoje faz um sol aqui tão quente como o sol de Recife e ele queimou as nossas fotos e teus escritos, mais uma vez o universo está sendo bondoso comigo.
a minha única nota mental que está ocupando todas as coisas, é algo que li uma vez na internet que dizia assim:

"as células do nosso corpo se renovam a cada sete anos, que bom que um dia eu terei um corpo que você nunca tenha tocado"