02/08/2017 - 21h14
hoje eu apaguei o único vestígio material da nossa história no universo. ninguém mais saberá que o nosso amor andou lado a lado por ruas de tantas cidades. o novo moço da padaria que ficava ao lado na tua casa não saberá de nós e do nosso pedido favorito. a rua deserta que assistiu tantas vezes o nosso amor já está pavimentada, construíram casas, construíram muros. o vento que balança a rede não faz ideia do quão bem nos encaixavamos dentro de uma. os vizinhos não mais ouvirão gritos e gemidos, não escutarão o nosso amor se transformando em barulho.
hoje o nosso nós dentro desse universo não mais existe.
é a morte do eu e você diante do mundo.
eu assassinei para o mundo e engoli nosso amor. ele vive dentro de mim.
eu botei no colo nossas lembranças mais frágeis e as apertei contra mim para que se sintam seguras dentro do meu corpo. o mundo não as merece, o mundo não precisa ver para que elas continuem existindo.
seu último vestígio apagado hoje do universo dizia que foi bonito demais e pouco feio.
eu concordo.
você estará em meu peito seja aqui ou em Recife. nada me fará apagar as lembranças desse teu olhar que é firme como a terra.
(meu fogo sempre será capaz de acender qualquer faísca)
att.
Nenhum comentário:
Postar um comentário