"Do lado da cama a agonia mora. Você dorme feito um anjo, nem percebe. Ou eu sou grande demais que tudo me atinge. Ou eu sou pequena demais e tudo tem um peso desproporcional. Aquela agonia subindo no peito. Uma hora explodirei enquanto você dorme. Enquanto você silencia e eu agonizo. Nem uma pólvora ousou atingir você? Nenhum dia você abriu as janelas, dobrou os lençóis e percebeu entre um movimento rotineiro e outro que alguma coisa tinha mudado? Você nunca sabe o momento exato que perde alguém. Pode ser na fila do caixa enquanto algumas compras são colocadas com muita pressa e tudo é feito de uma forma automática demais ao seu lado. Pode ser na hora em que se solta um “cansei” e como é isso de cansar-se de alguém feito um objeto descartável? Pode ser enquanto as contas são pagas e, aquilo que poderia ser ressignificado para se tornar menos entediante, passa a ser entendiante e nada mais. Pode ser enquanto você dialoga sozinho do outro lado do muro e o que se escuta é só o eco da própria voz. Pode ser enquanto alguém dorme e uma agonia cresce do lado de lá. Do grande muro recém-formado da nossas relação.
Você nunca sabe quando está prestes a perder alguém, mas sabe o momento exato em que se perdeu por alguém. E isso é o que verdadeiramente dói."
#textoscrueisdemais
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