sábado, 4 de março de 2017

cada um vive o luto à sua maneira

meus amigos dizem que eu preciso sair de casa e ocupar minha cabeça com outras coisas, eu penso que devo deixar essa ferida doer. eu vou deixar doer mais duas noites, vou deixar que me rasgue e que nossas lembranças me torturem por mais essas duas noites, para que eu possa me reinventar na segunda feira.

eu ainda estou aqui, parada, bem no lugar onde você me deixou.

ontem à noite eu me senti errada quando senti que o último gosto que estava na minha boca não era o seu e que as marcas no meu quadril não foram feitas pelas suas mãos. Deus, como eu queria que fosse você!
ontem à noite ainda parecia tão irreal, que eu sentia que a qualquer hora você poderia mandar uma mensagem pros meus amigos e aparecer ali naquela boate pra dizer que toda essa situação não dá e que é melhor esquecer isso tudo e recuperar o nosso amor (que não está morto e sim cansado).
mas não aconteceu.

as minhas primeiras lágrimas que eu tentei correr delas o dia todo vieram naquele momento.
depois de contar a nossa história no fumodromo, eu corri para o banheiro e chorei.
a moça estava me esperando.

a minha maneira de viver o luto vai ser te deixando em cada linha que eu escrever sobre o quanto ainda há você em mim e cada trago que dou no meu cigarro, vai expelir você de mim junto com a fumaça.

eu vou sofrer por mais duas noites e vou te esperar por duas noites, mas a segunda feira vai ser o meu recomeço.

(por favor, não deixe que chegue a maldita segunda-feira)

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