quarta-feira, 28 de junho de 2017

está tudo bem.

é o que você me diz todas as noites.

sua voz que ainda ecoa pelas paredes do meu quarto, porque ainda está entranhada aqui, está em algum lugar no meio desse monte de concreto que eu não consigo arrancar, onde as minhas unhas não perfuram como perfuravam a tua pele. 

está tudo bem, você repete.

e eu te procuro entre o que está aqui e o já que se perdeu, no meio de travesseiros e cobertores porque são dias frios demais e tudo aqui dentro é quente demais. é onde meu corpo entra em transe porque o choque térmico começa e agonia nasce, é no meio de uma noite que não tem amanhecer.

eu queria que estivesse tudo bem.

mas você invade minha paz todas as noites. quando eu fecho os olhos, me transporto para o fundo do meu subconsciente e é aí que eu vejo você. mas você está atrás de uma parede de vidro que é imune aos meus gritos. e minha parede continua não sendo tão forte quanto a tua, é o que faz meu coração sangrar. eu continuo me prostrando aos pés da tua parede de vidro.

você me olha sem demonstrar emoção e eu espero aquele sorriso aberto de quem podia me envolver nos braços até o fim dos tempos.

agora é o fim dos tempos.

e eu não quero acordar disso essa noite.

está tudo bem, mas afinal, para quem?

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