Eu sabia que por mais que meus passos fossem largos demais, eles não sairiam da nossa direção, que minhas mãos não conseguiriam tocar algo que não fosse a sua cintura por mais longe que eu esticasse os meus braços, que minha língua não alcançaria outra superfície que não fosse o seu corpo, sabia que não podia colocar o vão no lugar que você ocupa. Na verdade, eu não sabia. Não sabia, mas esperava que nada disso acontecesse.
Eu esperava não ter que ir pra longe de nós.
E eu esperava isso como alguém descrente que num momento de desespero junta as mãos, se põe de joelhos e reza pra um deus que nem se sabe da existência, como alguém que espera um fim do mundo que não tem data marcada, como quem planta na seca e espera por chuva, como um cego espera ver a luz ao acordar. Pode-se dizer que é uma espera às escuras, porque nem consultando os astros, os orixás, as cartas, os búzios, o tarô, eu consigo prever o que temos pela frente, mas eu continuo esperando e te esperando.
Espero porque eu perdi a fé na humanidade, mas ainda tenho fé em nós.
E posso esperar cegamente até quando o amor estiver disposto a guiar.
E o amor provou que não era hora de deixarmos de confiar.
Não era a hora de apagar o meu nome que está escrito ao lado do teu, não era a hora de desconstruir o que a gente edificou, não era a hora de encarar um mesmo céu estando em planetas separados, não era e nao é.
Dizem que o fenômeno que é a Superlua volta a se repetir em quase 20 anos, você esperaria para estar comigo novamente sob um céu em que a Superlua apareça?
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