Quando abri aquela carta vinda de outro canto do mundo, em meio a um papel branco uma letra tremida dizia "Estou me casando na semana que vem, era para ser você, sempre te amarei! - A.". Durante uma semana essas foram as únicas palavras que ecoavam na minha mente, durante uma semana nos meus sonhos eu podia ouvir sua voz em alto e bom tom repetindo essas palavras sílaba por sílaba. Depois de uma semana buscando respostas no fundo de um copo de uísque e nas curvas de outros corpos, eu não cheguei a lugar algum, mas já na outra semana, eu busquei significado para todas essas palavras no meu dicionário das lembranças, e foi aí que eu fui capaz de entender a primeira direção que me levaria de encontro ao que você queria me dizer com tudo isso.
Quando nos sentimos amados pela primeira vez, a única coisa que disse à ela foi que "o amor é uma condenação", ela nunca entendeu. Talvez eu nunca tenha entendido até agora. O amor é uma condenação porque na nossa primeira noite juntos nós nos setenciamos a sempre nos pertencer, nós estamos condenados a sempre visitar a biblioteca da memória, nós sempre voltaremos ao início.
Mas como ela condenaria seu amor a uma pessoa como eu?
Ela tem um outro alguém, ela está se casando com outro alguém, ela não precisa do inferno dos meus dias, ela não precisa da escuridão das minhas noites, dos porres da minha alma, mas ninguém mandou ela personificar o amor em mim.
Depois dessa semana, eu fui aos correios com um envelope, dentro dele estava o mesmo papel branco que ela havia me enviado, só que no verso haviam palavras que diziam "Sabe o porquê de sempre me amar? Porque o amor, baby, é uma condenação!".
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