Eu nunca pensei que escreveria pra você novamente, pensar em te escrever é voltar à estaca zero do meu tratamento (meu psicanalista me cobraria mais uma sessão por isso), mas é que morena, a saudade anda me seguindo e a cada passo que eu dou em diante, ela me puxa pela camisa de volta pra nós dois. E eu me rendo! Sou refém das lembranças, essas que me prendem, me maltratam e me arrancam a sanidade com as unhas e por mais que isso soe doentio, são nessas lembranças que eu me encontro, porque lá está você, logo ali atrás daquela montanha de caos onde te deixei pela última vez. Vez essa, que eu te fotografei com os olhos pra deixar guardado na biblioteca da memória a cor do seu batom.
Benzinho, talvez você não queira me ler mais, mas eu preciso te dizer - mesmo que indiretamente - qu'eu ando perdida nessa vida sem você, preciso te contar que não consigo nem mais ser uma boa pessoa, não que eu seja ruim, mas aquele sorriso e aquela cara de quem está com o coração em paz já não andam comigo. Eu tentava ser boa pra você, pra que você se orgulhasse de ter ao lado uma mulher forte e decidida, pra que seus pais vissem que eu gostava de crianças e entendia de animais, só pra eles dizerem "têm a minha bênção, faça a minha filha feliz!", mas nem isso eu fui capaz.
Te provar o meu amor foi a coisa mais dura que eu não consegui fazer durante esse tempo e talvez eu só te ame de longe, só quando eu não tenho notícias de como você está ou se curou daquela gripe, mas como eu sempre te disse "o meu amor tem um jeito manso que é só seu". Pode assustar esse papo de amor, nunca falei disso antes, mas não há outra definição pra esse sentimento todo dentro de mim, eu achei que por um tempo fosse comodismo, eu realmente acostumei a te ter do meu lado, mas era concreto e real demais pra ser acômodo.
Espero que um dia leias essas palavras e que abras as portas (da sua casa e coração) de novo pra mim!
"...mas se as portas aparecem já fechadas e eu não posso entrar, pra onde eu devo ir?"
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