Então querida, desde aquela noite caótica, eu não tenho feito nada além de esperar.
Eu esperava chegar logo no trabalho para sair logo dele, esperava um convite para algumas doses de uísque em algum botequim, uma ligação contando alguma tragédia, o tempo passar rápido.
Não sou desses que esperam coisas boas, por isso nunca esperei você. Não que você fosse essa "coisa boa", longe disso. Você para mim, foi uma espécie de mulher noturna. Daquelas que só nos fazem bem sob a luz da lua. Não tínhamos felicidades depois das sete da manhã, lembra? Eu não suportava olhar para tua cara de vadia depois das nossas trepadas e você também reclamava dos meus olhos cafajestes. Ao meio-dia, sua voz já badalava interruptamente como sinos em minha cabeça. E era aí que eu te virava as costas e seguia para mais um dia no trabalho com consciência de que, ao término dele, eu retornaria para contemplarmos a nossa felicidade noturna nos amando feito dois animais selvagens.
Desculpe-me, foi apenas um devaneio. Eu também não quero sentimentalizar esse escrito, você não é merecedora nem das minhas palavras sujas quem dirá de algum sentimento.
Mas quando me perguntam "Por quem os seus sinos dobram?" eu ainda digo: "Eles dobram por você!"